Projecto da IP deixa muito por esclarecer na quadruplicação
- Jorge Talixa
- há 1 dia
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A apresentação feita pela Infraestruturas de Portugal (IP) do estado actual do projecto de quadruplicação da Linha do Norte entre Alverca e Castanheira do Ribatejo deixou muita coisa por esclarecer. Na sessão camarária de 25 de Março, a empresa pública que gere as redes ferroviária e rodoviária apresentou uma versão actualizada do projecto, que deverá seguir, agora, para avaliação de impacte ambiental.
Segundo a IP, é uma proposta que minimiza os principais impactes da quadruplicação nas travessias de Vila Franca de Xira e de Alhandra. O vice-presidente da IP disse mesmo que esta solução é a melhor opção para o país e que a IP estará a tentar que não seja pior para Vila Franca e para Alhandra. Mas a maior parte dos munícipes que participaram mostrou-se contra, considerando que esta proposta é praticamente igual à anterior e que esquece a vida das pessoas que residem e trabalham nestas localidades.
A apresentação da IP não abordou, no entanto, alguns impactos que não serão ainda muito claros para a população local. Foi explicado que esta quadruplicação “cortará” 1800 metros quadrados no Jardim Municipal Constantino Palha, que seriam compensados com um novo jardim de 5300 metros quadrados a construir a sul da biblioteca Fábrica das Palavras.
Mas ninguém parece ter percebido que, para além de poder vir a ser cortado em 1800 metros quadrados, o Jardim Municipal Constantino Palha poderá vir a ser atravessado pela única via rodoviária que ligará a zona da futura estação ao cais, à biblioteca e ao novo jardim. O trânsito até poderá ser limitado/condicionado, mas onde é que ficará a tranquilidade e a segurança da utilização do jardim municipal sempre frequentado por muitas crianças?
É verdade que se disse que só poderão passar ali veículos de emergência, veículos para cargas e descargas e veículos para limpeza e manutenção. Ainda assim poderão ser bastantes a circular nesta via, limitando ainda mais o que vai restar do actual Jardim Municipal. Depois, também não foi explicado como é que pessoas com mobilidade condicionada poderão aceder à biblioteca.
Terão que estacionar a centenas de metros de distância e subir e descer a passagem superior da Rua 1º de Dezembro. E a nova passagem superior do Largo 5 de Outubro, que impacto é que terá (não foram apresentadas imagens)? Os desenhos também parecem demonstrar que o actual edifício do Clube de Campismo “As Sentinelas” e todo o quarteirão anexo serão demolidos, mas não houve mais esclarecimentos.
Já em Alhandra, ficou mal explicada a questão da circulação na Avenida Afonso de Albuquerque. Elisabete Pinto, engenheira responsável pelo projecto, explicou que o troço final da avenida terá passeio só do lado dos prédios e uma faixa de circulação no sentido Norte-Sul. E como é que se fará, depois, a circulação no sentido contrário?
Também não foram explicadas quais as demolições necessárias à concretização desta versão do projecto. Alguns munícipes ainda insistiram nas questões sobre o abate de árvores previsto para Alhandra e sobre o que “restará” da Avenida Afonso de Albuquerque, mas os esclarecimentos foram vagos e escassos.
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